Alfama, onde Lisboa nasceu

Ninguém pode dizer que conhece a capital de Portugal sem que alguma vez se tenha perdido em Alfama, onde Lisboa nasceu.

por aqui se desce para o coração de Alfama
por aqui se desce para o coração de Alfama

Durante o primeiro milénio a.C. as grandes civilizações do Mediterrâneo (gregos, fenícios, cartagineses) estabeleceram ocupação permanente em Alfama (que ainda não se chamava assim) como base de apoio às suas navegações entre o Mediterrâneo e o norte da Europa e vice-versa. As razões para esta escolha são a abundância de fontes de ãgua doce e a existência de um “porto seguro” (Alis Ubbo em fenício, de onde resulta o nome Lisboa).

Beco do Mexias

A primeira vez que a cidade de Lisboa teve uma estrutura de cidade foi com o Império Romano, no tempo de Júlio César (1º século a.C.). Desta época podem ser visitadas as ruínas do Teatro Romano, junto à Sé de Lisboa.

escadinhas do Terreiro do Trigo
escadinhas do Terreiro do Trigo

No séc. VIII, muito depois da partida dos romanos, os mouros (populações islâmicas do norte de África) dominaram a cidade mas não estavam felizes por viver numa cidade romana e construiram uma madina (cidade do norte de África) à imagem das cidades de Casablanca, Marraquexe ou Tanger em Marrocos. Apesar de existir uma grande abundância de vestígios da cidade romana, a estrutura de cidade tal como se apresenta hoje, tem as características de uma cidade do norte de Ãfrica.

rua típica de Alfama
rua típica de Alfama

Durante a 2ª Cruzada (1147), os cavaleiros de quase toda a Europa, incluindo franceses, alemães, neerlandeses, italianos, ingleses e escoceses realizaram um cerco de que resultou a queda de Lisboa para a cristandade. No bairro de Alfama podem ser encontradas vários pedaços da muralha (Cerca Moura) que vem desta época. Ao fim de 5 meses de cerco, a rendição foi finalmente negociada. Os antigos ocupantes foram autorizados a sair da cidade com as mãos vazias, como forma de salvar as suas vidas (25 de Outubro de 1147).

Aproveite os recantos para descansar – do lado direito detalhe da antiga muralha

A população de Alfama é constituída pela mistura dos descendentes dos cruzados, dos mouros, dos antigos escravos, dos judeus e de tantas outras influências que causaram uma população homogénea em que não é mais possível saber quem descende de quem.

Ermida de Nossa Senhora dos Remédios - não é preciso ir a Belém para ver o estilo Manuelino
Ermida de Nossa Senhora dos Remédios – não é preciso ir a Belém para ver o estilo Manuelino

Se quiser passear em Alfama não perca tempo em estudar um mapa. Apenas tem de escolher se quer visitar Alfama de cima para baixo ou de baixo para cima. A primeira opção consiste em ir até ao Largo das Portas do Sol e descer as escadas na direcção do Tejo, sem deixar de reparar no magnífico troço da muralha que se encontra do lado direito de quem desce. Para começar a passear em Alfama do lado de baixo, vá até ao Largo do Chafariz de Dentro e siga pelo Beco do Mexias onde tem do lado direito um lavador público onde se pode lavar roupa à mão. Em alternativa pode subir a Rua dos Remédios, com o portal da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios do lado esquerdo, em estilo manuelino, tal como os grandes monumentos de Belém. Em qualquer destas hipóteses basta seguir para onde os seus olhos ou a câmara fotográfica o/a levarem.

Alfama street art – trompe l’oeil

Para quem se sentir desconfortavel em passear por uma cidade que não domina, tem sempre algumas referências, a Igreja de S. Miguel (com duas torres) e a Igreja de S. Estêvão (com uma torre). A área entre estas duas Igrejas é a mais pitoresca de Alfama. O visitante que dicida perder-se em Alfama, numa actividade segura, divertida e gratuita, vai encontrar uma oportunidade de tirar uma fotografia em cada ruela e para onde quer que se vire.

Uma outra forma de conhecer Alfama (para os corajosos ou para quem estiver fisicamente em forma) consiste em começar junto ao Museu do Fado e subir na direcção do Castelo, tendo o cuidado de parar no miradouro de Santa Luzia, para descansar e admirar a paisagem e depois seguir até ao Castelo.

Curiosidades:

  • a ocupação contínua de Alfama nos últimos 3000 anos faz de Lisboa a segunda capital mais antiga da Europa, depois de Atenas na Grécia
  • em Alfama existiram banhos públicos até ao séc. XX
  • o chafariz de dentro antigamente chamava-se fonte dos cavalos (vá lá e perceba porquê)
  • cada porta da Cerca Moura tinha um nome. Uma delas, chamada Porta de Alfama (“lugar das mil águas” em árabe) deu o nome ao bairro
  • há 1000 anos as águas das marés chegavam onde hoje fica o Museu do Fado
  • no terremoto de 1755, o bairro de Alfama foi dos menos afectados da cidade
  • no cimo das escadinhas do Terreiro do Trigo ficava uma das quatro judiarias da cidade

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