A obra perdida de Vhils & Shepard Fairey em Lisboa

Actualização (2026): O mural de Vhils + Shepard Fairey apresentado neste artigo foi infelizmente removido durante a remodelação do edifício. Embora já não possa ser visitado, continua a ser um dos exemplos mais significativos da arte urbana contemporânea de Lisboa e uma parte importante da história cultural recente da cidade.

A Colaboração de Fairey e Vhils na Graça

Em julho de 2017, no âmbito do programa público ligado à galeria Underdogs e da exposição de Shepard Fairey em Lisboa, os dois artistas (Fairey e Vhils) juntaram forças para criar uma colaboração artística em Lisboa numa fachada do bairro da Graça: Rua da Senhora da Glória, nº 39. O resultado é um mural de grande escala que imediatamente se tornou um dos pontos de interesse da cena de street art lisboeta. A intervenção foi produzida como peça conjunta — cada artista assumiu metade do rosto representado na parede — combinando duas linguagens visuais fortes e distintas.

Um mural decorado por qualquer um deles seria sempre interessante, mas o que torna este trabalho Fairey e Vhils brilhante é a combinação perfeita de dois estilos tão diferentes, sem que nenhum deles tenha abdicado da sua personalidade artística. Um caso em que o todo é maior que a soma das partes.

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Fairey e Vhils – Street Art

Esta co-produção Fairey e Vhils representa uma cara de muher. Do lado esquerdo de quem olha vê-se a pintura de Shepard Fairey e do lado direito a parede está picada de acordo com o estilo de Vhils.

A mulher representada tem a boca coberta e também os cabelos cobertos mas só na parte pintada, enquanto que na parte picada a face está mais visível. Esta diferença reflecte simbolicamente a diferença das técnicas. Fairey, ao pintar, está a acrescentar algo à parede, que é a tinta. Por outro lado, Vhils ao fazer o seu trabalho está a retirar material da parede. Se pensarmos no tecido dos lenços que cobrem a boca e os cabelos como a primeira camada do desenho, Vhils ao fazer o seu trabalho, está a expor a cara da mulher de uma forma que não o está na parte pintada.

Vhils (Alexandre Farto)

Alexandre Farto, conhecido artisticamente como Vhils, nasceu em Lisboa em 1987 e formou-se em artes em Londres; ganhou reconhecimento internacional por um método pouco convencional de intervenção urbana: em vez de só pintar, “esculpe” a cidade, removendo camadas de reboco, tinta e materiais para revelar retratos e texturas que emergem da própria parede. O seu trabalho combina ferramentas industriais (brocas, cinzéis, jatos químicos) com uma sensibilidade documental sobre memória urbana e identidade. Wikipedia+1

Shepard Fairey

Frank Shepard Fairey (n. 1970), conhecido pelo projeto OBEY e pelo famoso poster “Hope” de Barack Obama (2008), emerge do universo do stencil, do design gráfico e do activismo. Formado no Rhode Island School of Design, faz trabalhos que juntam estética pop, iconografia política e imagens gráficas de forte impacto — muitas vezes usando estênceis, camadas de cor cuidadosamente compostas e símbolos que procuram gerar debate público. Encyclopedia Britannica+1

Conclusão (coprodução Fairey e Vhils)

A colaboração Fairey e Vhils na Rua da Senhora da Glória é exemplar porque reúne dois métodos complementares — o stencil gráfico e a escultura de superfície — para criar uma imagem que é simultaneamente leitura instantânea e descoberta progressiva. Além de ser uma peça visualmente impressionante, funciona como narrativa sobre participação, memória e humanização do espaço público, permanecendo um ponto de referência obrigatório nas rotas de street art de Lisboa.

Se ficou interessado nesta colaboração entre Fairey e Vhils, provavelmente também irá apreciar os trabalhos de Oze Arv e Add Fuel. Já que está no bairro da Graça, não deixe de visitar o Miradouro da Senhora do Monte.

O que aconteceu à obra?

  • A arte urbana é, muitas vezes, efémera;
  • O edifício foi reabilitado;
  • A obra sobrevive agora apenas através de fotografias e das memórias de quem a visitou.

Alguns monumentos sobrevivem durante séculos. A arte urbana sobrevive muitas vezes apenas alguns anos. Este mural tornou-se um dos ícones de Lisboa e o seu desaparecimento relembra-nos que as cidades estão em constante mudança.


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